
O Ministério da Saúde aprovou, em 27 de novembro de 2025, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Doença de Alzheimer. O documento organiza, dentro do SUS, os critérios de diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento dos pacientes — o que dá à família um caminho definido para percorrer, em vez de uma sequência de encaminhamentos soltos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros têm Alzheimer, e a previsão é de que essa população triplique até 2050. O Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas idosas, respondendo por mais da metade dos casos.
O que não é envelhecimento normal
Esquecer onde deixou a chave é comum em qualquer idade. O que merece avaliação é a mudança de padrão, especialmente quando começa a atrapalhar a vida prática:
- repetir a mesma pergunta várias vezes em pouco tempo, sem lembrar da resposta
- esquecer fatos recentes — o almoço de hoje, a visita de ontem — enquanto lembra com nitidez de coisas antigas
- dificuldade com dinheiro: errar troco, esquecer contas, repetir pagamentos
- perder-se em trajeto conhecido ou não reconhecer o caminho de casa
- falha para achar palavras, trocar nomes de objetos, parar no meio da frase
- guardar objetos em lugares improváveis e depois acusar alguém de ter pegado
- abandono de atividades que gostava, por não dar mais conta
- mudança de humor ou de personalidade: irritação, desconfiança, apatia, isolamento
Um sinal que merece atenção especial: quando a própria pessoa deixa de perceber que está esquecendo e quem nota é a família, o quadro tende a ser mais significativo do que quando ela mesma se queixa da memória.
O que fazer diante da suspeita
- Procurar a Unidade Básica de Saúde e relatar mudanças concretas com exemplos e datas aproximadas.
- Levar uma lista completa de medicamentos. Vários remédios de uso comum causam confusão e lentidão em idosos, e há quadros reversíveis confundidos com demência — infecção urinária, alteração de tireoide, deficiência de vitamina B12, depressão.
- Anotar, por algumas semanas, o que muda e quando muda. Esse registro vale mais na consulta do que a impressão geral.
- Não adiar por medo do diagnóstico. Diagnóstico precoce permite planejar enquanto a pessoa ainda participa das decisões — inclusive as jurídicas e financeiras.
O cuidado em casa muda de fase
O Alzheimer não exige o mesmo cuidado do começo ao fim. No início, o apoio é de supervisão e organização: medicação, contas, segurança no fogão, acompanhamento em consultas. Na fase intermediária, entram a desorientação, a agitação no fim da tarde e a inversão do sono — é quando a família costuma esgotar. Na fase avançada, o cuidado se aproxima do que se faz com paciente acamado.
Cada fase pede um arranjo diferente de presença. Reunimos o que muda em cuidador para Alzheimer em Toledo.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas têm Alzheimer no Brasil?
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros têm a doença, com previsão de que esse número triplique até 2050.
Existe protocolo do SUS para Alzheimer?
Sim. O Ministério da Saúde aprovou em 27 de novembro de 2025 o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Alzheimer, que organiza diagnóstico, tratamento e acompanhamento na rede pública.
Quais são os primeiros sinais de Alzheimer?
Esquecimento de fatos recentes, repetição da mesma pergunta, dificuldade para lidar com dinheiro, perder-se em trajetos conhecidos, dificuldade para encontrar palavras, mudança de humor e abandono de atividades habituais.
Esquecimento sempre é Alzheimer?
Não. Infecção urinária, alteração de tireoide, deficiência de vitamina B12, depressão e efeito de medicamentos podem causar confusão e lentidão em idosos — quadros que melhoram quando a causa é tratada. Por isso a avaliação médica é indispensável.
Onde a família encontra apoio?
Na Unidade Básica de Saúde e nos centros de referência do SUS, que oferecem tratamento multidisciplinar gratuito. A Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) mantém grupos de apoio e material de orientação para familiares e cuidadores.